terça-feira, 13 de março de 2018

"Get out": Batendo na tecla do racismo

Daniel Kaluuya em "Get out"


Nada como um filme americano para deixar bem claro, bem óbvio, bem rasteiro, o que a sociedade pensa sobre alguma coisa. E como andamos para trás ao invés de ir pra frente...

É como se os americanos consumissem toda a merda da humanidade e depois, despejassem o seu vômito sobre ela. É o papel de Hollywood. Eles têm se aplicado nisso, feito o dever de casa direitinho e sem nenhuma elegância nem pudor, voilà. E “The oscar goes  to”...

E todos compramos toda essa velhacaria no próximo ano. E no próximo e no próximo.  Com direito a tapete vermelho, divas vestindo Armani, discursos hipócritas e piadinhas sem graça. Não é maravilhoso? Eis uma coisa que eu admiro do fundo do coração: a cara de pau desses americanos. 

Mesmo em questões delicadas, como o racismo, eles não guardam pudores em falar o que desejam, o que lhes vai pela brilhante cabeça, da forma que bem entendem , cuspindo suas tacanhas ideologias sobre as pessoas.

Sua imaginação sem requintes e sem limites é que tornam possível  que um filme como “CORRA”(Get out, 20017, Jordan Peele), Oscar de roteiro original,  seja essa obra  prima quatro estrelas, segundo a crítica que temos hoje que eu nem calculo quem são. E nem quero conhecer.

Um negro namora uma branca, e ela o está levando para conhecer os seus pais, numa relação bem esquisita desde a primeira cena, com a trilha sonora dando dicas da esquisitice o tempo todo, marcando num suspense bem óbvio, como se o telespectador não racionasse, e precisasse de música pontual para entender o filme, musica  que funciona como hipnose nas cenas (bem  a  sintonizar com uma de suas personagens, como veremos) .

E quando a namoradinha diz para o namorado , apreensivo com o encontro com os pais dela: 
-  Fique tranquilo o meu pai votaria no Obama a cada vez que ele se candidatasse. Eles não são racistas.

O telespectador, além de ficar constrangido com essa frase ridícula e ideológica até a raiz do cabelo, só se for muito idiota, para não saber que deverá esperar pelo pior.

E é claro que esse pai só podia ser racista. Mas, muito pior do que um racista é  um racista psicopata, aliás,  uma família inteira, uma comunidade inteira de psicopatas, que tal?   Por que não?

Hollywood é assim mesmo. Sutil como um véu de noiva ou um pudim de claras. Isso , já sabemos.

Na casa da prometida, o namoradinho talentoso  (ele é fotógrafo) descobre que a família dela é pra lá de estranha com mãe psiquiatra que hipnotiza os empregados negros  com uma xícara de chá e  tem amigos brancos  dignos de um romance cavernoso de Agatha Christie, assustadores e neuróticos;  um irmão, ruivo , sardento , violento e  claramente maluco e o pai, incestuoso  neurocientista vingativo e ressentido,  filho de um atleta que perdeu, (adivinhem?)  a competição de Olimpíadas (me parece, não me lembro ao certo) para um negro, na época de Hitler.

Nossa! Pode acontecer mais alguma coisa?

O desfile de clichês não pode piorar, vocês devem estar pensando,  quando descobrimos que sim, que pode.

Catherine Keener, a mãe- psicopata racista hipnotizando com chá

O namorado é preso num porão onde vão fazer experiências neurocientíficas com  ele (afinal Hitler não entrou no filme , por acaso).

O que os loucos brancos querem é a força física dos negros, a sua genética superior e, para isso,  os transformarão em meio humanos, meio zumbis,  para lhes roubar o que querem...

As comparações entre negros e animais são constantes (sim, a sutileza), o namorado arranha a poltrona no porão como um bicho enjaulado, os cervos (da floresta) são atropelados, mortos e embalsamados. 

Precisa?

Ao interpretar a “raça” negra como animalidade,  relacionando a selvageria física na tela com os negros , só se reforça uma situação que pode e precisa ser esquecida e superada  a favor dos negros, a favor da humanidade.

Mas Hollywood não está nem aí pra nada disso. Quem se importa?

Mais e mais negros serão tratados como animais nas telas pra jogar nas caras dos racistas o seu ódio e o discursinho de ódio tão na moda que os culpados lhes devem. A quem interessar possa.

E mais não conto porque já contei quase tudo e já fiz o que me propus a fazer. Dizer que o filme é uma bela duma boa bosta.

E, o final é tão ruim quanto o filme inteiro. Pior.  De um mau gosto infantil,  que beira o lamentável. O cômico, no sentido ruim. Faz crer que o filme inteiro não passou de uma paródia enganosa .

Em alguns momentos me lembrou “Mulheres Perfeitas”, com a Nicole Kidman.  Me pareceu até que o diretor,  copiou aqui e ali o estilo daquele outro filme. Sendo que aquele era um bom filme.

Enfim, “Corra” bate na tecla de que os negros são vistos  como animais pelos brancos, que deles , invejam apenas a força bruta, que é o que é usado pra se livrar, afinal,  dos brancos , no término do filme. Elementar, meu caro Watson.

Americanos não conseguem pensar além de uma triste dualidade: o mal e o bem, o branco, o preto, o ruim e o bom. O mocinho e o bandido.E dá-lhe vingança!

A depressão do protagonista, deixa em dúvida,  depois de toda a pancadaria e a matança à la Rambo nas últimas cenas,  se o filme é sério ou é uma mera piada.

Se for a sério, então, negro: Corra, fuja. Os brancos são uma ameaça! Odeie-os como eles te odeiam. É isso que Hollywood está dizendo. E, se for uma piada, bem, o filme continua muito ruim, mesmo sendo uma piada! 

Nada de bom foi acrescentado ao problema racial. Os negros são as vítimas eternas dos brancos e só se livram deles na porradaria...

A crítica o amou.  Sobre isso  nada digo.  

Apenas digo que esse filme apenas me  deu saudades de filmes  como “ADIVINHE QUEM VEM PRA JANTAR?” .

Sidney Poitier e Spencer Tracy, 1967.

Quem se der ao trabalho de ver os dois, vai entender do que estou falando.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Método para navegar na internet

Aprendi um novo sistema de navegação na internet. Começa assim: você digita uma frase longa e burramente importante, como aquelas que podem ser, por exemplo, títulos de uma tese de doutorado da academia e que não tem senso algum, como, por exemplo: “As vicissitudes  da herança portuguesa alienada e progressista no âmbito das relações sociais no Brasil (...)”. Algo assim. Tem que ser algo bem longo, e perigosamente, pretensamente, bobamente intelectual. Aperte o ENTER e deixe-se maravilhar pelos resultados. Pode ser que você caia numa linda página que te apresente a um filósofo antigo do qual você nunca ouviu falar, estilo Avicena; pode ser que caia numa crônica de Rubem Braga que você já leu quinhentas vezes; nos diários de Emilio Renzi (aconteceu comigo) ou – e há sempre esse risco – numa tese boba, pretensiosa e bestamente intelectual da academia. Nesse último caso , dê meia volta e invente outro título estapafúrdio e recomece a sua busca.

Vale tentar.

Boa Sorte!


sábado, 17 de fevereiro de 2018

História do politicamente incorreto segundo Leandro Americanizado Narloch


   A esquerda e a direita brasileira merecem quebrar o pau. Que se estapeiem uma a outra. Quero ver o circo pegar fogo. Para que vejamos a nu e a cru a pobreza de uma e outra e como estamos a pé nesse país...
   Enquanto uma sonha em transformar a bandeira do Brasil numa bandeira vermelha com foice&martelo  e revolucionar isso aqui até que vire uma ditadurazinha comunista sem nenhuma identidade própria, com migalhas para o povo e caviar para os “companheiros”, a outra não sossega enquanto não vender a alma para os americanos. É por isso que acho bom quando um louco qualquer que atende pelo nome de Leandro Narloch escreve uma suposta história que “nunca” foi escrita. A história do politicamente incorreto.
   Daí então, você entende que os seguidores do Olavo de Carvalho não batem lé com cré. Tão loucos e perturbados quanto os amiguinhos de Che.
  Na série, nascida do livro de Narloch,  “Guia politicamente incorreto da História do Brasil” há bizarrices cujo único objetivo  parece ser pontuar que somos um país de idiotas que não tem do que se orgulhar e melhor seria sermos todos como os americanos. E o esforço é tanto para aplicar a tese, que eles se dão ao trabalho de fazer um capítulo inteiro com a intenção de desvirtuar ícones brasileiros como Santos Dumont, por exemplo.
   Segundo a direita de Narloch,  Santos Dumont não foi o pai da aviação ( e sim , segundo a série veiculada pelo americanizadinho canal History Channel) os irmãos Wright.  Eles, que não ligavam para ter o título, mas se preocuparam seriamente com a patente.  Veja que coisa difícil e contraditória de entender. Eles não se importavam, eles eram, segundo Narloch,  fazendeiros bonzinhos e desinteressados, lá de Ohio, tímidos, abstêmios, protestantes interioranos que trabalhavam numa fabriqueta de bicicletas,  mas queriam a patente. Estranho!
   Neste capítulo da série o esforço para colocar os irmãos Wright como criadores do primeiro voo é tão intenso, manipulador e cínico que segundo os “historiadores” que participaram (entre eles um professor americano, vejam só, e uma neta- sobrinha dos irmãos Wright, mais um filho da p. que me escapou quem era),  querem fazer você crer que Santos Dumont era apenas um balonista dândi e criativo que passeava por Paris, mais interessado em frequentar jantares caros e ser amigos de reis do que em criar o avião.  E que o 14 bis, segundo Leandro Narloch “não voava , mas dava pulinhos”.

Parece um pássaro? Nãoooo , é um avião!
   Ninguém falou com seriedade do Demoiselle, que foi realmente o primeiro ultraleve que criou toda a base da aviação moderna inventado por Santos Dumont, of course, em 1907. E ninguém falou que o 14 bis foi apenas o primeiro protótipo que viria a ser desenvolvido mais tarde e que resultou no Demoiselle.
Demoiselle
   Bom, mas segundo eles, os irmãos Wright não usaram catapulta(há controvérsias) , mas apenas um “dispositivo”, um trilho,   para fazer o modelo deles alçar voo. Com dispositivo é fácil, baby. Sem falar que não há testemunhas desse voo, que eles se vangloriam de ter sido realizado antes do de Santos Dumont, voo que foi comunicado via telegrama para o aeroclube da França.
   Really? Se fosse o contrário e Santos Dumont dissesse que voou por telegrama, os americanos iam acreditar? É só uma pergunta...
   Enquanto isso, Santos Dumont fazia tudo publicamente. Aos olhos de quem quisesse ver.
   Mas, na série politicamente incorreta de Leandro Narloch ninguém falou verdadeiramente do Santos Dumont!Ora , pra quê? Santos Dumont era só um idiota rico que brincava com balões e dirigíveis. Falou-se dos irmãos Wright e Santos Dumont só entrou na história pra afirmar, por contraste, o desinteresse e a criatividade gratuita e “boazinha” dos irmãos americanos, realmente interessados na aviação.
   Além de terem relevado de propósito o fato de o modelo americano ser conduzido por um trilho e num lugar de vento intenso, também não disseram que o modelo dos irmãos Wright nunca conseguiu ser recriado posteriormente e colocado no ar, o que não foi o caso do Demoiselle. Ou seja, esqueceram tudo o que importava, por esquecimento mesmo? Ou pura desonestidade intelectual?
   Apostem vocês.

   O que quero saber é se o professorzinho de bosta americano e a neta-sobrinha dos irmãos subiriam no modelo que se vangloriam de ter ficado no ar. Um avião que fica no ar com catapulta  e vento a favor , não voa. É uma pipa de criança. E ponto final. Por que eles não recriam o modelo, como já fizeram os brasileiros com o modelo de Santos Dumont, e vão voar nele, se era tão seguro? 
   Por um simples motivo: eles já o fizeram pra comemorar os 100 anos do tal voo em 2003, mas o modelito não voou.Chafurdou em plena lama. Oh,que pena!O Globo noticiou o fato com uma manchete chamada: "A vingança de Santos Dumont" 


   Sendo assim, meus amigos, o pai espiritual da aviação, o criador-mor mais original e constante fica sendo sim Santos Dumont, queiram os americanos e a direita de merda brasileira ou não. Foi ele que criou as bases da aviação moderna. 
   Como disse Henrique Lins de Barros:

"Ele resolve uma das questões essenciais do voo, que é tirar o avião do chão. Conseguiu transportar as forças que ele conhece e que atuam quando o avião está pousado e fazer a transição entre a situação do avião pousado e do avião voando, onde as novas forças têm que atuar e ele não conhece direito onde elas atuam".
Prova disso é que o primeiro avião a ser produzido em série na história, que inspirou o desenho de vários outros, foi uma invenção de Dumont: o Demoiselle, de 1907. Esse precursor do ultraleve teve seu projeto distribuído gratuitamente pelo brasileiro. Cerca de 300 foram produzidos pela fábrica Clément Bayard.


   Gratuitamente! Santos Dumont sequer fez questão de cobrar por isso. Ele era rico, e daí?
   Duvido que algum americano rico fizesse o mesmo  e falo isso por mera constatação, já que conhecemos muito bem a atitude arrogante e superior dos americanos. Os irmãos Wright fizeram tanta questão da patente e nunca conseguiram. Bem feito!
   É o mesmo Henrique Lins de Barros que diz:

“ (...)Nos EUA aconteceu exatamente o contrário. Orville e Wilbur Wright eram capitalistas que fizeram questão de patentear o aeroplano. Eles poderiam patentear o motor, o sistema de esquis. Tentaram patentear o avião, o voo.
Não conseguiram. Com isso, atrasaram o desenvolvimento tecnológico nos EUA até 1911, ao tentar impedir outros americanos, como Glenn Curtiss, de desenvolver aeronaves. "A Scientific American chegou a perguntar se eram "flyers" (voadores) ou "liars" (mentirosos)".

   Que os americanos queiram ser donos de tudo, se entende , já que sofrem de megalomania explícita e  patológica,  só não se entende que os brasileiros os aplaudam por isso  e fiquem se rendendo a eles.
   Meu avô tinha razão quando disse que esse país devia ser vendido pros Estados Unidos. Os brasileiros rendem tanta homenagem aos americanismos que o complexo de vira-lata é pouco para explicar tamanha bobagem.
   E essa série politiquinha incorretinha também se arvorou a transformar os índios brasileiros numa aberração predadora e destruidora da natureza. Mas, isso, fica pra outra hora.
   Fui.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

A feminista e a barata execrável: notas sobre um “debate filosófico” abortado.

Marcia Tiburi é filósofa, feminista , figurinha fácil da rede Globo((já foi do canal GNT no programa “Saia Justa”), quando depois de um tempo debatendo, dentre outras,  com Maitê Proença, Luana Piovani e Beth Lago (uma alma irreverente que já se foi do nosso mundo) cansou-se delas e chegou a dizer: 

“Com todo respeito, nem todo mundo ali sabia o que o debate significava. Era de lascar. Eu não queria que elas concordassem comigo, mas, pelo amor de Deus, que apresentassem um argumento válido! Participar do programa me deixou muito feminista, porque o grupo era muito conservador. No ‘Saia justa’, percebi que as próprias mulheres denigrem as mulheres. A Mônica(Waldevogel) também sacou isso. Mas as outras não tinham condição de entender o que estava se passando. A Luana Piovani era uma bobinha do mal. A Maitê é a Luana vezes dois. Era insuportável. A Betty Lago era divertida, mas uma bobalhona”

Maitê então disse uma verdade incomodativa sobre Marcia Tiburi:

 “Ela já declarou que odeia a própria mãe, disse que não gosta das gordas e agora ela assumiu que odeia todas as lindas. Tadinha dela."

Marcia disse que se arrependeu do que disse. Devia mesmo. Não é elegante pra uma filósofa aceitar debater com as devidas colegas (lindas!) e depois falar isso delas.

Seja como for, Marcia se envolveu em outra treta. Estava na rádio Guaíba no dia do julgamento de Lula,  toda serelepe  conversando com Jurandir Machado , o dono do programa onde participaria de um debate,  quando a barata, digo, Kim Kataguiri, ele mesmo em pessoa, adentrou o recinto e deu, oh horror, um beijo na filósofa em questão. Era ele, junto com Roberto Requião e ela, os debatedores do dia. 

Marcia se levantou em choque anafilático e disse para Jurandir:

“Nossa, meu, sério. Me avisa a próxima vez quem tu convida pro teu programa. Deus me livre, Deus… que as deusas me livrem disso, tenho vergonha de estar aqui! ô cara, gosto tanto de ti, mas eu não falo com pessoas que ‘são assim’, que são indecentes , que são perigosas. Tenho até medo de estar aqui, tô indo embora.”




Kim, de 22 anos, disse rindo: 

...”Eu sou um japonês inocente”


Ora, sabemos que Kim é tudo, menos inocente. Culpado até o último fio de cabelo. Ele é, no entanto, de fato um japonês e um japonês franzino e novinho. Dava pra ver que Kim sentiu o preconceito no ar com essa frase que proferiu...

Marcia é uma mulher empoderada, feminista, globalista e antifascista. E tem 47 anos de experiência de vida nas costas. Por que tanto medo de Kim, o franzininho fascista do MBL que nem a “direita” respeita? Ela não estava em clara vantagem? Por que não aproveitou pra dar um “banho de moral” no fascistinha?

Depois Marcia escreveu uma carta aberta na revista Cult para Jurandir, onde se justificava obviamente e fazia a mea culpa do debate abortado:

“Ao longo da minha vida me neguei poucas vezes a participar de debates. Sempre que o fiz, foi por uma questão de coerência. Tenho o direito de não legitimar como interlocutores pessoas que agem com má fé contra a inteligência do povo brasileiro ao mesmo tempo em que exploram a ignorância, o racismo, o sexismo e outros preconceitos introjetados em parcela da população.


Por essa razão, ontem tive de me retirar do teu programa. Confesso que senti medo: medo de que no Brasil, após o golpe midiático-empresarial-judicial, não exista mais espaço para debater ideias."   (...)

Olha que grande oportunidade perdida: a de debater com um fascista e tentar livrá-lo dos preconceitos sexistas, racistas e ignorantes. Afinal, é para isso, entre outras coisas, que serve a filosofia.

E ali estava o espaço desperdiçado para o debate de ideias, que ela teme que não possa mais existir. O espaço que lhe foi dado pelo próprio amigo Jurandir Machado, que não acreditou no ocorrido:

“- Jura, Marcia?”

Ele perguntou olhando atônito, enquanto ela se retirava, com uma mochila nas costas.

No entanto, eu penso que Marcia tinha todo o direito de se esquivar do debate sim. Até porque do jeito que ela saiu dali, via-se que ela não tinha mesmo condições emocionais pro debate. Kim a desestruturou por completo.

Esbaforida, ela parecia estar sofrendo um ataque de pânico. Quase o tratou como um assassino em potencial.Perigosíssimo. 

Na cabeça dela, e pelo horror paranoico que demonstrou, podia ser que esperasse que Kim sacasse uma arma ali mesmo e a matasse.

Nada disso aconteceu. Kim, contido e bem educado (embora eu não consiga concordar com uma palavra do que ele diz, leia-se bem), ficou até o fim do debate com Requião e ninguém morreu. Muito pelo contrário. Embora Requião, raposa velha, tenha sido extremamente grosseiro (o que já se esperava dele) conferindo o celular o tempo todo e demonstrando impaciência e desconsideração pelo seu oponente, ainda assim creio que a raposa velha venceu o debate, não na educação, que nisso, Kim foi impecável. E o próprio Jurandir falou sobre isso depois.

Segundo ela mesma disse: ia dali “direto pro psiquiatra”. Precisava mesmo. Precisa parar de agir desumanizando os outros. Talvez um psiquiatra lhe ajude a respeitar a humanidade alheia...

Não cai bem pra uma pessoa que se diz filósofa tratar oponentes como baratas que adentram o recinto. Debatendo ou não com eles, tenha dó, aja com elegância, ele é um ser humano.

O horror kafkiano da filosofia

Muitas pessoas falaram sobre o livro de Marcia Tiburi e as contradições que advém de uma filósofa que escreve um livro sobre “fascismo”, mas não debate com um suposto fascista.

Pelo que eu li sobre , o livro dela conclui , ao final, que é impossível o diálogo com um fascista.  

 Não discordo. Porém não vou perder o meu tempo  refletindo sobre  a paranoia que faz Marcia Tiburi escrever sobre fascistas, nem de longe isso me interessa. Por que eu leria um livro com um título apelativo como: “Como conversar com um fascista?” de uma pessoa que sequer sabe o que é uma conversa? Não estou certa também de que ela saiba o que é um fascista.Parece-me mais que usa essa palavra ao seu bel prazer.

Mas, uma coisa é certa. O livro agora vai bombar, porque no Brasil é assim. Todo mundo adora ler coisas polêmicas e é por isso que estou escrevendo isso aqui...rs

Penso que Marcia Tiburi manchou um pouco a sua reputação com esse “ato falho”, nem sei se covarde ou se de teor puramente preconceituoso. De qualquer jeito, teve uma atitude arrogante e  perdeu uma chance única de um debate em que podia aniquilar com um adversário de um só golpe.  

Cheguei a sentir vergonha alheia, vergonha que venho sentindo muito ultimamente.

Como se já não bastassem as minhas...

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Empoderamentos 3: Os novos pais

   Tolstói disse que os homens deveriam libertar as mulheres para serem, eles também livres. De fato, as mulheres que conquistam a liberdade sonhada, liberam os homens do compromisso para com elas. É uma liberdade que tem seu preço, obviamente – a responsabilidade, que alias é o preço de toda liberdade. Homens livres, mulheres livres. Sonho de consumo, que só funciona na prática, se os dois se ajudarem a serem realmente livres. Não é tão simples. 
   Num episódio a que assisti naquele canal feminista, que todo mundo sabe qual é (eu não preciso dizer o nome), e que determina a moral e o comportamento dos brasileiros, falava-se dos novos pais. Um deles veio para o Rio e ficou a cuidar das filhas enquanto a mulher trabalhava. Ele sentiu-se “vagabundo” no início, disse que seus avós e bisavós mortos "clamavam" dentro dele pra ir à luta ( e, ora homem, por que você não foi?), mas, o programa deu a entender que ele superou o conflito e está bem assim invertendo o papel com a sua mulher. E lá aparecia ela chegando em casa com cara de executiva poderosa, de terninho - a roupa clássica da mulher empoderada - enquanto ele ,dava banhos nas filhas e tocava violão com elas.  Ele, inclusive disse que acha que está antecipando o futuro, que “quem sabe como serão as famílias no futuro?”, se não serão assim....
   Como assim?  Então no futuro, devo esperar que os homens  virem donas de casa à moda dos anos 50 e as mulheres, homens que sustentem a casa?  Será que as mulheres estão querendo isso?!?!?!?Uma troca dos valores machistas pelos feministas radicais?
   Num filminho besta americano: “ 5 anos de noivado” , um casal passa por uma situação semelhante. Ele é um chef de cozinha bem sucedido, mas ela é uma acadêmica que consegue uma vaga em outro estado, no setor de psicologia. A vaga dos seus sonhos. Então ele abre mão do emprego seguro no seu restaurante para acompanhá-la. Não preciso dizer a crise pela qual ele passa enquanto a noiva prospera no tão sonhado emprego – que, por sinal era quase uma piada- mas o filme era uma comédia e americana, portanto o espectador só tem que seguir a história sem se ater a esses “detalhes”. O fato é que ele vai pirando aos poucos. Deixa a barba crescer de uma maneira horripilante e fica meio louco, meio selvagem. Ao final, eles chegam a uma solução, com um food truck que podia ir e vir entre as cidades, pra que ela não sacrificasse o seu emprego e ele voltasse à ativa. Mas na vida real não é tão fácil.

Jason Segel e Emily Blunt em "Cinco anos de noivado"

   Lembro-me  de como eu também fiquei meio louca quando fiquei em casa só cuidando de filha.Ninguém sabe a depressão  que é não ter um objetivo na vida, a não ser que se passe por isso.
    Foram anos ruins, excetuando a maternidade, que era a parte boa.
    Em geral vejo aqueles anos como um abismo, um vácuo, um certo vazio...como se eu estivesse hibernando...
   Foi difícil voltar à tona e acho que até hoje sinto o peso de não ter começado mais cedo...seja como for, o que quero dizer é que ninguém deve abrir mão daquilo o que quer ou precisa fazer, mesmo quando isso envolva uma outra pessoa “ parceira pra vida toda”. Primeiro porque sabemos que a vida toda, pode não ser “a vida toda”, como não foi no meu caso. Um dia o parceiro se vai e ficam as feridas e uma sensação de que recomeçar não é fácil e que você devia tê-lo feito antes. Quanto mais rápido você lutar por sua independência, melhor pra você...
   Talvez o emprego dos sonhos deva ser sacrificado se você ama alguém e vai anular aquela pessoa...ninguém merece ser um peso nulo na vida e, definitivamente, não nascemos pra isso. Nem homens nem mulheres.
   Se ser feminista envolve tornar o homem um fraco, abro mão disso. Do meu lado quero um homem forte, como eu mesma quero me sentir forte...e a gente sabe como a vida , dificilmente  nos permite (ainda mais nesse país) essa condição da força...



terça-feira, 7 de novembro de 2017

Empoderamentos 2: Jane Austen para mulherzinhas


Elizabeth Bennet (Keira knightley)


    Eu sou leitora de Jane Austen. Li até Persuasão com aquela heroína insuportável.  Que heroína é Anne Elliot? Tão chata, tão correta, com seu convencionalismo inglês, que dá saudades da “falta de esperteza” de Catherine Morland   em “A Abadia de Northanger”...
   Jane Austen viveu num tempo em que as mulheres não tinham direito a nada, viviam numa prisão, sem direito a herança, sem direito a assinar contratos e reger a própria vida,  com uma educação parca e tudo o que lhes restava, na melhor das hipóteses, era ler romances, aprender línguas, costurar, tocar piano e esperar por um bom casamento. Quando não acontecia, ela era uma espécie de pária na sociedade, sofrendo todo tipo de pressão e bullying social.
    Não é incomum um diálogo didático nos livros de Jane Austen sobre os direitos (inexistentes) das mulheres. E ela acabou sendo fortemente associada ao feminismo, por conta de tudo isso. Mas suas heroínas destroem essa imagem: a própria Anne  -  abnegada, convencional, e excessivamente pura , por exemplo.  Como afirmar esse feminismo numa escritora que escreve coisas como esse trecho que aparece em Persuasão num diálogo entre Anne  e a Sra. Smith:

“- Mas ela não era uma mulher muito inferior?
- Era, e eu levantei objeções, mas ele não me prestou atenção(...)”

   A noção de “mulher inferior”, com o preconceito politicamente incorreto de Anne Elliot não combina nem um pouco com o feminismo de nossos dias, que  com certeza  , não estaria disposto a aceitar essa linha de raciocínio...
   Muitas vezes Jane cria mulheres infernais, chatas, neuróticas, que têm ao lado maridos pacientes, como é o caso de Mary e Charles em “Persuasão”, e Charlotte Palmer de “Razão e Sensibilidade”.
Todas as heroínas de Jane Austen procuram um homem, um casamento, ao final. Elas fogem da solteirice como o diabo da cruz.
   Os finais, embora rápidos e meio frustrantes, são sempre felizes e depois de muita incompreensão e abismo entre as partes, lá está a heroína nos braços do amado, alguns duvidosamente generosos, como eu senti em Henry Tilney de “A Adbadia de Northanger”, um verdadeiro rei de ironias cortantes, mas como Catherine Morland, era uma ingênua e o livro  é uma paródia romântica, cujo ridículo das situações fica evidente o tempo todo,  o divertimento é garantido. Sem falar que as espetadas de Jane Austen (ela é a mestra da ironia fina) estão super afiadas neste seu livro, que é o primeiro e um dos meus preferidos. Eu diria que o grande personagem deste livro é a própria narradora intrusa que Austen constrói e que tira sarro o tempo todo da personagem que criou: romântica, bobinha e facilmente manipulável...mas, pra variar, uma personagem inesquecível!
   Talvez as feministas considerem que a narradora seja uma feminista, que sacaneia a própria personagem que criou , a fim de mostrar como as mulheres eram manipuláveis pelo romantismo vigente. Mas é um nó cognitivo muito grande realizar essa operação mental, pois que Jane dá um final romântico a essa mesma personagem, ou seja, ela não abdica do padrão de comportamento que ela mesma criticou...
    Sobre os personagens masculinos , alguns até “malvados” e sem caráter aparecerão, como Whillowgby,  de “Razão e Sensibilidade” que ainda assim é perdoado por Marianne Dashwood. 
   Marianne é considerada uma feminista segundo alguns estudos acadêmicos, por ter o temperamento imprevisível, “descontrolado” e anticonvencional. Mas, nem tudo é o que parece e um comportamento imprevisível não é, necessariamente, sinônimo de rebeldia feminista...
(Como se uma feminista dessas atuais pudesse amar como Marianne, com aquela entrega total e absoluta, o que eu duvido e muito!!!).

Marianne(Kate Winslet)  no filme de Ang Lee

    O “feminismo” de Marianne se redobra ao final, num conformismo que a faz aceitar a mão do Coronel, já que teve o seu amor por Willowghby, frustrado. Ora, ela não é uma feminista no sentido clássico da palavra, longe disso.  Ela é passional, de um passionalismo  sem limites, razão pela qual, ela explode as comportas e faz entornar as vias do bom comportamento. Marianne manda o convencionalismo às favas porque não consegue ser de outro jeito, seus sentimentos a impedem. Isso fica muito claro o romance inteiro. E,  a não ser que a pessoa não tenha lido o livro aqui citado com o devido  cuidado de não tentar só enxergar exatamente aquilo   o  que quer encontrar nele,  é impossível não constatar que não há nenhuma ideologia ou necessidade de afirmar um caráter revolucionário e feminista no comportamento dessa personagem.
   Marianne ama o amor, antes de tudo. E seu final  fica longe do que se esperaria de uma personagem tão violentamente passional. Ao contrário de encontrar um amor maduro e construir sua “individuação como figura mais equilibrada e racional”, como costumam afirmar os estudos feministas, numa forçação de barra duríssima e muito cara de pau, eu diria que ela encontrou consolação e uma paz na falta de um amor verdadeiro, sufocando sua natureza apaixonada...
   Dentre os personagens masculinos, eu diria que o meu preferido,  o  mais maravilhoso, distante, passional, complexo e contraditório é o Senhor Darcy, o “metidão”  de “Orgulho e preconceito”.

Matthew Mc. Fadyen vivendo |Darcy


    O Sr. Darcy é um manipulador poderoso: considera a família de Elizabeth Bennet  “inferior”, os modos das suas irmãs e até da sua mãe, e aproveitando-se da influência que tem sobre o amigo, Charles Bingley ( que se apaixona por Jane , a irmã de Elizabeth)  o convence, com seus modos elitistas e orgulhosos,   a afastar-se  da família Bennet , mas não hesita em conquistar  a mesma  Elizabeth, para quem ele confessa depois, que lutou contra os próprios sentimentos, mas não pôde evitá-los. Quando rejeitado, diz ofendido:

“É essa a resposta que devo ter a honra de esperar? Talvez eu quisesse ser informado porque sou assim recusado. Sem sequer uma tentativa de polidez (...)”

   (É, ele se “acha” muito mesmo!!!)
   “Orgulho e preconceito”, é tido como um livro também feminista...embora Darcy seja o macho alfa fodão que resolve todos os problemas, rico e poderoso, que compra , inclusive a reputação quase perdida da irmã de Elizabeth(uma ingênua fogosa que caiu na conversa de um mau elemento), numa verdadeira história de Cinderela salva pelo príncipe encantado...
   Como esse livro pode ser feminista? Juro que não entendo.
   Os istas pretendem possuir o mundo todo e sua simbologia...
   Elizabeth Bennet é tão somente uma personagem voluntariosa, que luta por suas opiniões e pela própria felicidade com unhas e dentes, como quando, por  exemplo, rejeita o Sr. Collins,  o primo esquisitão que cisma de pedi-la em casamento:   

   “- A senhorita deve dar-me vênia, querida prima, para que eu possa crer que a sua recusa da minha proposta não passe de palavras ao vento. As minhas razões para crê-lo, são em suma as seguintes: não me parece que a minha mão seja indigna de aceitação ou que o padrão de vida que possa oferecer seja nada menos do que desejabilíssimo. (...)
Como devo, portanto, concluir que a senhorita não está a falar sério ao rejeitar-me, prefiro atribuir a recusa ao seu desejo de aumentar o meu amor pela incerteza, de acordo com a prática corriqueira das mulheres elegantes.
   - Posso garantir-lhe, senhor que não tenho nenhuma pretensão a esse tipo de elegância que consiste em perturbar um homem de respeito. Prefiro receber o cumprimento de ser considerada sincera. Agradeço-lhe mil vezes pela honra que me fez com sua proposta, mas para mim é absolutamente impossível aceitá-la. Meus sentimentos me impedem de fazer isso. Posso falar mais francamente? Não pense que eu seja uma mulher elegante com a intenção de atiçá-lo, mas uma criatura racional que fala do fundo do coração.”
Orgulho e Preconceito

    Como vemos uma mulher que sabia muito bem o que queria. E o casamento na época, além de ser toda a promessa de felicidade que uma mulher poderia ter, podia  ser uma armadilha convencional, da qual as protagonistas de Jane, inteligentes  que eram,  procuravam escapar escolhendo homens que elas realmente amassem. E elas lutavam bravamente pelo amor. Mas, em nenhum momento do livro vemos uma pregação feminista dessa personagem, que faz jogos de linguagem com o homem que a atrai, ao mesmo tempo em que luta para odiá-lo. É um jogo romântico, dos mais conhecidos na história da literatura. A história clássica de amor&ódio.
   Qualquer personagem feminina da literatura que seja interessante e que tenha uma forte personalidade, já decidem prontamente associá-la ao feminismo, numa apropriação totalmente indevida. É dose quando esses grupos radicais se apoderam de autores e ideias que não são suas pra utilizar-se deles como uma falácia de autoridade pra defender uma causa própria, forçando uma barra.
    Não há heroínas masculinizadas em Jane Austen, elas são mulherzinhas procurando o amor, não comem, não dormem e até adoecem na falta de amor. Elas têm, é verdade, uma grande consciência da injustiça à sua volta - que é o mundo regido para proteger os homens. Mas ainda assim, nunca vi uma heroína Austiniana dizer:
   -Ah, estou muito bem sem os homens...por mim, eles poderiam morrer!
   (Como vejo algumas mulheres de grupos feministas vociferarem...). E ouvi até falar de uma que queria denunciar um homem que curtiu várias fotos suas no facebook, como se o pobre coitado fosse um perseguidor...rs.

Hugh Grant e Emma Thompson, Edward e Elinor(Sense and sensibility)

   Jane Austen viveu em outro tempo, e se há uma centelha de crítica nos livros dela aos direitos das mulheres, isso não estava relacionado diretamente a uma cartilha de Judite Butler precoce. Eu aceitaria se as feministas dissessem , por exemplo, que Orlando de Virgínia Woolf antecipa a revolução trans. De qualquer jeito, acho que as feministas de hoje não leem Virgínia Woolf...estão comendo mosca. Melhor pra Virgínia Woolf que assim, pode descansar no túmulo, sem virar símbolo de nada...rs 
     O universo de Jane Austen é notoriamente marcado por uma luta contra os convencionalismos inúteis, a pureza dos sentimentos e a liberdade das emoções.  São mulheres lutando pelo amor, pela proteção de um homem, um amor entre IGUAIS.  Elas não abriam mão do prêmio maior, que no caso, era o casamento. Que restava a uma mulher afinal? É quase como se elas tentassem salvar a própria pele num universo onde quase nada mais era permitido.  
   As heroínas autinianas lutam para não serem párias sociais. Querem conquistar seu espaço na sociedade, que naquele caso, era o amor e o casamento.

   (Sinto quem eu possa ter ofendido com esse pseudo-artigo...) 

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Homem nu,escatologia, vanguardia, ditadura, censura, ideologia de gênero etc

   Naquele canal feminista (que já não consigo assistir nem dizer o nome), porque cansei da propaganda  insistente e chata da ideologia de gênero martelando no ouvido a cada episódio de cada programa e com aquelas mulheres cansativas , repetitivas falando de empoderamentos  femininos, quando não seja uma propaganda qualquer  repetindo essa cantinela , colocaram Marcelo Tas e Cia dizendo que o caso das artes, do homem nu, etc, está sendo usado pela política como cortina de fumaça pra desviar dos verdadeiros problemas do Brasil. Ao mesmo tempo em que escolheram a dedo uma cena notavelmente ridícula de Crivela (que nem precisa disso...rs) dizendo que não ia aceitar essa exposição no Rio de Janeiro. Enquanto isso, é claro, eles enfiam goela abaixo uma propaganda curiosa feita pelos  artistas, cheirando bastante à hipocrisia ,pedindo para o povo não aceitar a censura.
   Isso merece um olhar mais detalhado.
   Se por um lado, a rede globo percebeu que o povo não vai engolir tão fácil assim suas ideologias , como o banco Santander, teve que voltar atrás, eles  também assopraram a ferida. É lógico, eles não vão se arriscar a perder a audiência do povo, esse mesmo povo  que os assiste e a quem eles chamam  sem peias,  de:  “convencionais”, “conservadores”, “mal preparados” etc. Eita, discursinho gasto!
    Tiveram até a cara de pau de chamar um cientista político, usando um argumento de autoridade, um senhor qualquer que só falou obviedades para definir o que era conservadorismo, reacionarismo etc. O método é o seguinte:  ver se rotulando as pessoas com esses palavrões elas sentem “vergonha” de não serem  as descoladas  que a mídia prega e viram as “progressistas” a favor de todo o lixo que eles querem vender. Uma maneira nada sutil de virar o jogo...
    Como a Dona Regina, essa inusitada personagem,  entrou no asfalto como a criança de “A roupa nova do Rei” de Andersen e declarou: “...Mas era uma criança” , e calou a boca deles, prepara que agora vem chumbo. 


Dona Regina: metáfora do "Rei nu"


     Sob o nome maior de Fernanda Montenegro, os artistas que são a favor da exposição, do homem pelado, da rede globo, da lei Rouanet  já fizeram uma campanha. Mais parece uma propaganda política. E é isso mesmo. A propaganda com Caetano, Fernanda Montenegro e outros atores contratados da globo e a serviço dela,  falando tão compenetradamente  e apelando para que o povo não aceite a censura. Que lindo! Mas é um pouco tarde agora, não é mesmo(?), pra falar de censura. Pensassem antes de jogar aquela merda em cima do povo e ainda usar dinheiro público... Também concordo que arte não deva sofrer censura.  Mas, onde, naquele caso, estava a arte? Deixa eu pensar...
    Para os conceitos já nem diria modernos, nem diria  vanguardistas  da arte via Duchamp, era arte. Até porque a vanguarda está morta e o que essa arte faz é velho pra chamar de vanguarda(homem nu expondo o pênis pra uma criança manipular, se quiser ?) .  Ah, isso não tem nada de mais...rs Essas coisas são tão velhas, que , excetuando a nudez,  poderia ser uma aula de teatro da CAL nos anos noventa. E, além de tudo, povinho, vocês não leram “Lolita” e não gostaram? Pois é.
    Voltando à discussão, eu diria que a rigor, arte tem direito à escatologia e até ao mau gosto, à falta de caráter, à indecência, ao descaramento, ao cinismo, ao chocante, ao vazio, ao pensamento inútil, ao nada, ao deserto, ao ponto, a poeira, ao pó.. E  a tudo que se possa imaginar de aversivo, subversivo e muitos ivos. A arte tem direito a tudo, nesse território aiaiai, meu senhor, ninguém pisa. Ah, então , sim, é censura.
   Não adianta a direita espernear. É censura, sim. Deixa a criança viada em paz, por favor...Silêncio!Que a esquerda brasileira vomite todo o seu excremento sobre a humanidade, eles tem todo o direito, sim...
    É arte para esse conceito de arte, que se inventou dentro da academia, dentro de certos círculos  que a aceitaram assim , ad infinitum, que nunca a reviram, que nunca repensaram e que insistem em fazer sobreviver.(Ler Affonso Romano de Sant´Anna é uma boa para quem não se convence sobre essa discussão sobre a arte …)

Vanguardia: Cocô gigante


   Eles vão continuar vendendo e expondo porque eles têm o amparo de curadores, de esquizofrênicos, de empresários, de bancos mercenários, de artistas dispostos a lançar suas neuras no mundo, de jornalistas inescrupulosos, de dinheiro público, de político estrategista, de rede mentirosa de televisão, de propaganda ensaiada e pronta a chamar de “nazistas” e “reacionários”  aqueles que não a apreciam etc . É arte, portanto, do tipo que é puro mercado. Esvaziada de sentido, ou melhor, prenhe de ideologia, e esvaziada de sentido estético. De extreeeeemo mau gosto, é horrorosa e não agrada a ninguém.
    Quem quer ver uma tela com um desenho esdrúxulo, onde se lê: “criança viada”..???
    Really? Eu acho que posso viver sem isso. Acho que a humanidade inteira consegue!!!
    Nada contra uma pessoa achar que deve jogar sua bosta, sua merda, no mundo,  e chamar isso de arte! Que seja! Porém que não se exija que sua neura seja admirada e vista como o bem supremo da humanidade e, pior, que quem não a admire seja considerado retrógrado...
    Vomite, pinte, seja o pior artista bizarro e escatológico do mundo, mas deixe que as pessoas o admirem ou não, deixe que elas decidam se querem aquilo ou não. E não as chame de nazistas ou fascistas, se elas não apreciarem.
    Alguns impulsos doentios dessa gente, que num extremo ato de “vanguardia” tem sanhas de escrever na parede: “COCÔ, eu COMO e eu gosto!!!” e espera que o povo aprecie isso....rs. Que cria, por exemplo,  uma exposição com os absorventes utilizados durante a menstruação...eccca! Mas, você não entendeu , povinho? É lógico que você dormiu no ponto...

Marcha das Vadias: em nome da  liberdade de expressão

    Mas a discussão não acaba por aí: a direita afirma que esse lixo cultural que vem sendo continuamente jogado sobre a sociedade faz parte de uma agenda globalista , orquestrada com a intenção de aniquilar por dentro  a sociedade pra que uns poucos se mantenham no poder, tendo o povo como massa de manobra. Parece uma teoria da conspiração, mas tem sentido quando você pensa em todo o esforço que a família Globo faz pra defender a cultura do lixo. Quem manda nesse país afinal? Nas consciências? Quem domina a consciência do povo tem tudo. É um fato.
    E já tem gente como Luis Rufato que eu amo de paixão, dizendo que a MBL é uma versão do “Marcha da família a favor de Deus e da liberdade” que nos fez afundar no obscurantismo militar...
    O obscurantismo militar foi causado, pra quem não sabe, pelo medo do comunismo que perpassava o Brasil, de que isso aqui virasse uma Cuba, coisa que assustava o povo americanizado e cioso de sua suposta liberdade (que acabou perdendo).
    E, adivinhem? Agora também, como em 64, o povo está ficando assustado e com medo dessa esquerda maluca e “neuropsicopata”, que está  pervertendo  sim,  criancinhas. ( Qualquer psicólogo de bosta sabe que não é bacana uma criança de quatro anos “brincar” com um homem pelado. ). É engraçado que nenhum artista preocupado com a censura, se preocupou com a criança...
    Não é como em 64 quando se dizia que a direita brasileira inventava que os “comunistas comiam criancinhas” . O papo agora é sério. Não é mais história pra boi dormir.  E, se ninguém viu até hoje um comunista comendo uma criancinha inteira, todo mundo agora viu a criança pegando no estranho homem nu...
     Daí existe o "remédio" que o povo vai enxergar, podem ter certeza. E isso sim, é que nos pode levar ao obscurantismo bolsonorista -  o medo da esquerda e suas ideologias psicopatas e não o MBL. O MBL é a consequência. E se, estamos nesse impassse....ah, raciocinem...
    Eu tenho medo de Bolsonaro, esse homem “ obscurantista” (pra usar um termo amado pela esquerda),  mas também odeio essa patrulha venenosa, asquerosa e ladra das consciências que trama o tempo todo e manipula com  uma ideologia tosca, de mau gosto da esquerda brasileira dos últimos tempos... Invoco Zélia Gatai: Anarquista, graças a Deus...rs. E também Cazuza, “ideologia , eu quero uma pra viver”...

Cazuza: "Ideologia, eu quero uma... "

     Principalmente a esquerda tem se mostrado manipuladora, e voraz  quando deixa passar coisas que a sociedade não quer , não se identifica e não é como eles dizem “não está pronta” pra esse mundo tão lindo que eles querem criar, onde “qualquer maneira de amor vale a pena”. É preciso ter respeito e cuidado com as pessoas. Não é o povo que não está pronto. É a ideologia e a moral fuleira e escrota que eles estão criando que enojou o povo. A política do vale tudo. Do deixa passar.  Olha o laissez-faire aí , gente.. Ué, mas o liberal, não era o capitalista? O porco capitalista? Mas, o porco só é capitalista, se não for o porco deles, se for o porco deles, é o papai dos porquinhos...rs
     E, imaginem, se passarmos de novo por uma ditadura? Quem vai pagar o preço? Nós, o povinho, no meu caso aqui, uma anarquista fuleira de baixo calibre, de quinta categoria, que nem vota há anos  e que já teve um pai preso e destruído psicologicamente pela ditadura...
    Uma ditadura militar? Isso seria realmente trágico! Mas é bom a esquerda pensar em até que ponto está sendo responsável por essa resposta do povo que eles chamam de reacionária, e no quanto ela trabalhou por isso, jogando esse lixo, continuamente  sobre o Brasil, dia e noite com ideologias fuleiras e mega esculachadas, de baixo nível moral em todos os sentidos.  E não adianta vir depois chorar pitangas clamando pela falta de censura...


sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Empoderamentos 1: feminina , não feminista

     Fui criada numa família onde as mulheres eram fortes e femininas, não feministas. Lembro sempre da minha avó me alertando  em mais uma de minhas muitas discussões com o vovô:
- Não discute com o teu avô, deixa quieto...
  "Deixar quieto" era o "f..."  que ela dava pra não se aborrecer(minha avó era da paz, embora mulher forte, tão forte que sinto que a família se dissolveu quando ela morreu. Ela era agregadora (e  é isso que as grandes mulheres são, na minha cabeça, e não outra coisa...).
  Mulheres de Atenas. Nunca entendi porque o machismo dessa música foi compreendido como feminismo, assim como outras músicas de Chico Buarque que são claramente músicas de malandro macho.  Mas os estudos acadêmicos estão aí provar que Chico Buarque não disse aquilo que disse, disse outra coisa e quem entendeu isso literalmente, é idiota, claro...
   Tem até bloco de carnaval chamado “Mulheres de Chico”, cujo estilo é todo feminista e as mulheres que o criaram, embora “Mulheres de Chico” (com possessivo e tudo) são todas feministas, of course. Essas mulheres, ao que parece, são as empoderadas que existem nos versos, que, aliás eu adoro,  como:
   “a Rita levou o meu sorriso
     no sorriso dela”...
  Ah, bom, agora deu pra entender porque Chico é feminista... 
  Chico quis dizer que “mirem-se” era um alerta, claro. Então por que não disse, ora bolas?
  É  certo que a truculência, a “sujeitice”  das prostitutas, donas de casa, mulatas devassadas pelo patrão e tudo o mais que vem da obra de Chico,  e que incomoda,   tem um quê de dubiedade. Chega-se, desconfiado, com a orelha de pé, a pensar se Chico pensa ou não pensa aquilo o que diz. Mas  muitas destas letras foram escritas para fazer parte de peças teatrais retratando personagens do nosso imaginário nacional, que, tout court, é machista e Chico só faz refletir isso. Portanto , é normal que exista sempre uma mulher ao pé da porta “sem carinho, sem coberta”.
   Recentemente, o cantor foi criticado pelas feministas por escrever estes versos no seu último lançamento:

   Quando teu coração suplicar
   Ou quando teu capricho exigir
   Largo mulher e filhos
   E de joelhos
   Vou te seguir

  Segundo  elas é inconcebível escrever isto e ser tão perverso com a mulher e os filhos, ficando com a amante. Ora, ...as feministas querem tantas mudanças e são tão conservadoras....
   Assim chegamos a um paradoxo: o poeta das feministas, agora é machista!Ora, ora...
   Sinceramente, achei patrulhice demais, essas feministas estão como os pombos, ficando sem limites!
   Estava dia desses pensando nessas questões das mulheres da minha família, e me veio à cabeça esses empoderamentos todos de que se fala sem parar agora...
   Estão nas letras de Beyoncé chamada de mulher poderosa, por nove entre  dez que se dizem feministas (pelo menos as que eu conheço), tenho até uma amiga minha feminista que disse que a “Beyoncé tem direito a cantar o que quiser , fazer o que quiser e se vestir como quiser”.  Imagem queridinha , modelo de empoderamento. E é assim que ela faz. Se veste de maiô pra cantar, sensualizando e fazendo letras como:


   I see it, I want it


   I stunt, yeah, yellow-bone it

   I dream it, I work hard

   I grind ‘til I own it

   I twirl all my haters
   Albino lligators
   El Camino with the ceiling low
   Sippin’ Cuervo with no chaser
  Sometimes I go off, I go off
  I go hard, I go hard
  Get what’s mine, take what’s mine(,,,)



   When he fuck me good I take his ass to Red Lobster, cause I slay
   If he hit it right, I might take him on a flight on my chopper, cause I slay

   Drop him off at the mall, let him buy some J’s, let himshop up, cause I slay

   I might get your song played on the radio station, cause I slay

  I might get your song played on the radio station, cause I slay
  You just might be a black Bill Gates in the making, cause I slay
   I just might be a black Bill Gates in the making, cause I slay

Beyoncé, agora feminista
   (Aparentemente o poder de Beyoncé é tão grande, tão violento, tão raivoso, que ela sente necessidade de  esbravejar desse jeito e mostrar que pode ter, ter, ter, ter, ter tudo e ser voraz. Lógico que usando o corpo. Elementar, caro Watson... Ah, que canseira!). 
   Está no poder da bunda de Anitta, também territorializada pelas feministas que a veem como um ícone de feminismo porque "ela faz o que quer", palavras de uma delas. Tive que ouvir também que não se pode "desconsiderar a importância do funk  na propagação do direito à liberdade sexual por uma série de cantoras entre elas Anitta, Mc Carol, Ludimilla e Tati Quebra Barraco, em um mundo meio que dominado pelos homens".  
  E que ninguém precisa ouvir , mas deve "reconhecer como expressão cultural e social" . (Ah bom, se eu não preciso ouvir, já melhorou bastante...rs) Só não sabia que a liberdade   sexual precisava de um empurrão.  Essa pra mim é nova...juro!Deve ser por isso, que as adolescentes frequentavam os bailes funks sem calcinha. Se você não sabia por que , agora sabe que era pra dar uma força na liberdade sexual desses nossos dias tão castos...rs.
   Que seja uma expressão cultural , todo mundo sabe ,uma vez que se considera cultura tudo o que produzido pela sociedade, tenha qualidade ou não, mas, isso é assunto pra outra hora. 
 
Anitta : dando uma força pra "liberdade sexual"
   É engraçado que as feministas declarem: “meu corpo, minhas regras” com tanta empáfia e achem normal usá-lo num sentido depreciativo. É como se elas institucionalizassem  a mulher objeto, que agora é  exatamente a mesma mulher objeto dos tempos machistas, só que, por uma mágica, uma lógica secreta que só as feministas entendem, ou os seres extraterrestres, se tornou a VADIA EMPODERADA...cujos homens são meros carneirinhos que ficam olhando , mas não podem se aproximar de verdade, só foder bem e ir embora. E “apanhar na cara”, naturalmente, como diz Anita naquele seu hit...
   Eu não sei exatamente como essa “vadia” pode ter poder, pois é fato que as mulheres continuam vendendo seu corpo e sua imagem, assim como no passado e fazendo tudo pra chamar a atenção,(mais ainda em decorrência da sociedade do espetáculo),...sem falar que a relação com os homens não mudou muita coisa, a julgar pelo modo como eles são tratados por elas , eu diria que piorou.
   (Eu nunca vou entender esse mundo...).
   Se isso é ter poder, prefiro ser uma heroína de Jane Austen...

   Fui!